Vista externa do Congresso Nacional do Brasil, em Brasília, sob céu claro.
Política

Nova composição do Legislativo federal terá participação feminina recorde no Senado

A composição do Congresso Nacional que tomará posse em 2027 terá uma presença feminina maior do que a registrada após as eleições de 2022. O principal destaque está no Senado Federal: 12 mulheres foram eleitas em 2026, o maior número de senadoras escolhidas em uma mesma eleição desde a redemocratização. Na Câmara dos Deputados, o total também cresceu, mas a proporção ainda permanece distante da participação feminina no eleitorado brasileiro.

Os dados foram apresentados pelo Ministério das Mulheres em análise publicada em 7 de outubro de 2026. A apuração considerou consultas às bases do Tribunal Superior Eleitoral realizadas depois do primeiro turno, ocorrido em 4 de outubro. O calendário do pleito, que também definiu cargos do Executivo e dos Legislativos estaduais e do Distrito Federal, foi divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Câmara terá 109 deputadas a partir de fevereiro

A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres entre as 513 cadeiras a partir de 1º de fevereiro de 2027. O número supera as 90 deputadas federais eleitas em 2022 e representa crescimento de 21,1% na bancada feminina. Mesmo com o avanço, as mulheres ocuparão 21,2% das vagas da Casa, segundo os números consolidados na análise do Ministério das Mulheres.

O resultado mostra uma mudança relevante na composição da Câmara, mas também evidencia que o aumento absoluto de eleitas não se converteu em equilíbrio entre homens e mulheres. A bancada feminina continuará sendo minoritária no plenário, apesar de as mulheres formarem a maioria do eleitorado nacional. Essa diferença é um dos principais elementos para compreender o resultado das eleições de 2026.

Senado terá maior número de eleitas em uma única eleição

No Senado, 12 mulheres conquistaram vagas nas eleições de 2026. De acordo com o levantamento oficial, trata-se do maior número registrado em uma mesma eleição desde a redemocratização brasileira. A renovação, contudo, não representa sozinha o total da bancada que estará em exercício no próximo ano, porque parte das senadoras possui mandatos iniciados em eleições anteriores.

Considerando as seis senadoras que já têm mandatos com duração até 2031, a bancada feminina poderá chegar a 18 integrantes em 2027. Se esse cenário se confirmar, as mulheres ocuparão 22,2% das 81 cadeiras do Senado Federal. Assim como na Câmara, o percentual indica crescimento e, ao mesmo tempo, preserva uma diferença expressiva em relação à presença feminina na população apta a votar.

Participação no eleitorado ainda não se reflete nas cadeiras

Os dados utilizados pelo Ministério das Mulheres apontam que o Brasil tinha 83,9 milhões de eleitoras, equivalentes a 52,84% do eleitorado nacional. A comparação ajuda a dimensionar o contraste entre participação eleitoral e representação parlamentar: embora sejam maioria entre os eleitores, as mulheres formarão pouco mais de um quinto da Câmara e, no cenário projetado, pouco mais de um quinto do Senado.

Essa distância não anula o crescimento observado em 2026, mas indica que a ampliação da bancada feminina ainda ocorre de maneira gradual. O aumento no número de parlamentares pode modificar a composição institucional do Congresso, porém os percentuais mostram que a representação política permanece inferior ao peso demográfico e eleitoral das mulheres no país.

Desafios permanecem para ampliar a representação

A análise oficial também situa o resultado dentro de um contexto mais amplo de obstáculos à participação feminina na política. O acesso desigual a recursos de campanha, as barreiras partidárias e a violência política continuam entre os desafios relacionados à chegada e à permanência de mulheres em espaços de decisão.

Por isso, o desempenho de 2026 deve ser lido em duas dimensões. De um lado, há um avanço mensurável, especialmente no Senado e no crescimento da bancada da Câmara. De outro, a distância entre o perfil do eleitorado e a composição do Congresso revela que a presença feminina ainda não acompanha a proporção das mulheres na sociedade brasileira.

Para o acompanhamento das instituições públicas, o dado terá efeito direto sobre a composição do Legislativo federal a partir de 2027. O Congresso continuará reunindo uma maioria masculina, mas contará com mais deputadas e senadoras do que no ciclo anterior. A evolução futura dependerá da capacidade de reduzir as barreiras apontadas no levantamento e de transformar o crescimento registrado em participação política mais equilibrada.

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