Amputação na terceira idade: O papel da medicina na reabilitação física e emocional
O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, aborda a prevenção e a reabilitação pós-amputação como dimensões do cuidado geriátrico que exigem atenção especializada e humanizada. Além disso, a amputação de membros no idoso é um evento clínico com impacto que vai muito além da perda física. Na prática, ela representa uma ruptura profunda na identidade, na autoimagem e na funcionalidade, chegando numa fase da vida em que a capacidade de adaptação já está naturalmente reduzida. No Brasil, o diabetes mal controlado é a principal causa de amputações não traumáticas em idosos, e a maioria poderia ter sido prevenida com diagnóstico precoce e cuidado adequado.
Neste artigo, você vai entender o que está em jogo quando um idoso perde um membro. Leia com atenção.
Por que a amputação tem consequências tão amplas na terceira idade?
A perda de um membro ativa simultaneamente múltiplas dimensões de sofrimento que se retroalimentam. No aspecto físico, a amputação altera o centro de gravidade, compromete o equilíbrio e aumenta o gasto energético para locomoção, exigindo uma adaptação que o organismo do idoso realiza com muito mais dificuldade do que o de adultos jovens. A cicatrização do coto, especialmente no idoso diabético com comprometimento vascular, é lenta e sujeita a complicações que podem exigir amputações em níveis mais altos, explica Yuri Silva Portela.
A amputação também representa uma ameaça à autonomia que o idoso frequentemente já estava trabalhando para preservar. Por essa razão, a perda de mobilidade que ela impõe pode acelerar uma dependência que havia sido adiada com muito esforço. Diante desse forte impacto emocional torna-se indispensável um suporte psicológico estruturado desde as primeiras fases da recuperação.
Como a reabilitação geriátrica aborda o idoso amputado?
A reabilitação pós-amputação no idoso exige equipe multidisciplinar que contemple fisioterapia para readaptação funcional, suporte psicológico para elaboração do luto, orientação nutricional para sustentação da cicatrização e acompanhamento médico rigoroso das condições que levaram à amputação. Nesse processo, prevenir que o mesmo processo afete o membro contralateral é tão importante quanto reabilitar o que foi perdido.

Yuri Silva Portela
Sob a ótica do doutor Yuri Silva Portela reforça que a prevenção é sempre superior à reabilitação nesse contexto. O idoso diabético com sinais de comprometimento vascular periférico ou feridas nos pés que não cicatrizam precisa de avaliação urgente. Em suma, esse é um dos cenários em que dias fazem diferença entre preservar e perder um membro.
Como o Humaniza Sertão atua na prevenção nas comunidades?
Nas comunidades do sertão de Quixadá, o diabetes não controlado é prevalente. Durante as ações mensais do Humaniza Sertão, a equipe realiza avaliação dos pés dos idosos diabéticos, identificando lesões em estágio inicial e orientando sobre cuidados preventivos acessíveis.
O fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, destaca que orientar famílias sobre inspecionar diariamente os pés do idoso diabético e buscar avaliação imediata diante de qualquer lesão é uma das ações preventivas de maior impacto do projeto. Cada amputação evitada é uma autonomia preservada.
Prevenir a amputação é preservar a dignidade do idoso
Por fim, o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, acredita que o cuidado com os pés do idoso diabético é uma responsabilidade familiar diária. Observe, cuide e busque ajuda ao primeiro sinal de lesão. Esse cuidado simples tem o poder de mudar completamente o curso do envelhecimento de quem você ama.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










