Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
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Como estruturar um time de tecnologia que cresce com saúde: Squads, design organizacional e o que vem depois da escala

De acordo com o diretor de tecnologia Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, existe um momento previsível na trajetória de quase todo time de tecnologia em crescimento: o modelo que funcionava bem quando a equipe tinha dez pessoas começa a falhar quando chega a vinte, e colapsa de formas dolorosas quando ultrapassa cinquenta. Reuniões que antes resolviam tudo viram gargalos. Decisões que eram tomadas informalmente criam conflitos porque ninguém sabe mais quem tem autoridade sobre o quê. Times que eram colaborativos começam a competir por recursos, prioridade e visibilidade.

 

Continue lendo e descubra por que estrutura organizacional não é detalhe de RH, mas decisão técnica com consequências diretas na velocidade e qualidade do que o time entrega.

Por que o modelo de squads autônomos funciona no início e começa a falhar quando o time cresce?

 

Como comenta Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, a lógica por trás dos squads autônomos é sedutora e tem base empírica real: times pequenos com autonomia para tomar decisões dentro de um domínio bem definido tendem a ser mais rápidos, mais motivados e mais alinhados com os problemas que precisam resolver do que equipes que dependem de aprovação hierárquica para cada passo. Esse modelo funciona excepcionalmente bem quando os domínios são pequenos o suficiente para que um único time consiga compreender toda a complexidade envolvida, quando as dependências entre times são limitadas e quando a comunicação informal ainda consegue resolver os conflitos que surgem nas bordas entre responsabilidades.

 

O problema começa quando o crescimento do time de tecnologia multiplica o número de squads sem um redesenho proporcional das interfaces entre eles. Cada novo squad cria novas dependências, novos pontos de handoff e novas ambiguidades sobre quem é responsável pelo quê quando um problema atravessa mais de um domínio. A autonomia que era virtude quando havia quatro squads se transforma em fragmentação quando há doze, porque a ausência de coordenação formal não desaparece com o crescimento, ela apenas se torna mais cara de gerenciar de forma informal. O que antes era uma conversa de corredor passa a exigir reuniões inter-squad, comitês de alinhamento e processos de escalonamento que consomem exatamente o tempo que a autonomia deveria estar economizando.

 

Segundo Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, há ainda uma dimensão cultural que agrava o problema e que raramente é endereçada com a seriedade que merece. Times que cresceram com alta autonomia tendem a desenvolver identidades fortes ao redor do seu domínio específico, o que é saudável até o momento em que essa identidade começa a competir com a identidade do time maior. Quando um squad começa a otimizar para as suas próprias métricas em detrimento dos objetivos da organização, quando decisões locais criam externalidades negativas para outros times sem que haja mecanismo de accountability, e quando a resistência a compartilhar recursos ou expertise se torna norma implícita, o modelo de autonomia atingiu o limite da sua utilidade sem um redesenho que introduza estrutura de coordenação sem destruir o que de positivo o modelo produziu.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Quais estruturas organizacionais funcionam melhor em diferentes estágios de crescimento de times técnicos?

 

Antes de escolher um modelo organizacional, é necessário reconhecer que não existe estrutura universalmente correta: existe estrutura adequada para o estágio de maturidade, tamanho e contexto de negócio de cada time. Times de até quinze pessoas funcionam bem com estrutura plana e liderança técnica concentrada em uma ou duas pessoas com clareza de responsabilidade. O overhead de processos formais nesse estágio é desnecessário e prejudicial, e a proximidade física ou virtual entre todos os membros ainda permite que a comunicação informal resolva a maioria dos conflitos de prioridade e dependência.

 

Entre quinze e cinquenta pessoas, a necessidade de estrutura formal começa a superar o custo de implementá-la. Conforme destaca o diretor de tecnologia Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, é nesse estágio que modelos como o Spotify Model, as estruturas de tribos e guildas, e abordagens baseadas em Team Topologies se tornam referências úteis, não como receitas a serem seguidas literalmente, mas como frameworks que oferecem vocabulário e padrões para pensar o problema de coordenação em escala. A chave nesse estágio é definir explicitamente quais são as interfaces entre times, quais decisões cada time pode tomar autonomamente e quais precisam de alinhamento cruzado, e quem tem a palavra final quando o consenso não emerge de forma orgânica.

Como conduzir a transição de design organizacional sem perder velocidade nem destruir a cultura do time?

 

A transição de uma estrutura organizacional para outra em um time de tecnologia ativo é um dos exercícios mais delicados de gestão que um líder técnico pode enfrentar. O risco principal não é escolher o modelo errado: é implementar o modelo certo da forma errada, criando resistência, ansiedade e perda de foco exatamente no momento em que o time mais precisa estar alinhado. A regra mais importante nesse processo é que a estrutura deve seguir a estratégia, e não o contrário. Reorganizar o time antes de ter clareza sobre os domínios de responsabilidade, os fluxos de valor que precisam ser preservados e as dependências que precisam ser gerenciadas é uma garantia de que o processo vai precisar ser refeito em breve.

 

Como frisa Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, a comunicação transparente sobre os motivos da mudança estrutural é condição necessária para que ela seja bem recebida pelo time. Engenheiros e gerentes que entendem por que a estrutura atual está criando problemas reais de entrega, qualidade ou colaboração têm muito mais disposição para participar do desenho da nova estrutura do que os que recebem um organograma novo como fato consumado. Criar espaços para que o time contribua com perspectivas sobre como as dependências funcionam na prática, quais são os pontos de fricção mais dolorosos e quais arranjos informais já existem e estão funcionando bem é uma forma de produzir uma estrutura mais adequada à realidade e, ao mesmo tempo, construir o engajamento necessário para que ela seja adotada com seriedade.

 

Por fim, qualquer nova estrutura organizacional em um time de tecnologia precisa ser tratada como hipótese a ser validada, e não como solução definitiva, pontua Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira. Definir métricas claras de sucesso, como redução no tempo de resolução de dependências inter-squad, aumento na velocidade de entrega ou melhora na qualidade das interfaces técnicas entre domínios, e revisar essas métricas com regularidade é o que permite identificar quando a estrutura está funcionando como esperado e quando ajustes são necessários antes que os problemas se acumulem ao ponto de exigir outra reorganização completa.

 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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